Agora chega o adolescente, com um rio de hormônios em ação. E, apesar de toda a propulsão hormonal, eu simplesmente não conseguia ter a coragem de tirar a garota para dançar. E, para aumentar ainda mais a dificuldade, nem dançar eu sabia. Habilidade que ainda invejo nos outros.

Importante pontuar que, hoje, consigo perceber que as limitações citadas acima foram fruto de um planejamento construído antes de eu chegar para esta vida. Não foram acaso ou acidente, erro genético, algo que minha mãe ingeriu e afetou a constituição de meu corpo, ou algum trauma sofrido na minha gestação, seja por mim ou por meus pais.

Vejo que tudo aconteceu dentro de um plano de voo cuidadosamente preparado, para que eu pudesse estar na densidade desta realidade física, nesta vida, e me conduzir, de acordo com as limitações e possibilidades, para o nascimento de Dhyan Deepak, décadas mais tarde.

O meu projeto de vida exigia a restrição para que eu pudesse construir minha jornada e estar escrevendo agora estas palavras. É fascinante poder olhar para a maravilhosa orquestração do fluxo de minha vida e, na verdade, de todas as minhas vidas vividas e das pessoas que encontro. 

O ser humano é fascinante em cada uma de suas incontáveis possibilidades e configurações possíveis.

Não que a jornada seja fácil — a minha foi e é preenchida de tamanha carga emocional que, em muitos momentos, sua intensidade chega a ser dilacerante. 

Contudo, ainda assim sou fascinado pela vida e entendo como é fácil cair nas ilusões dos vícios sensoriais deste mundo e desviar-me da rota programada para a minha própria realização.