Ao longo das últimas e muitas décadas, vem sendo semeada uma “verdade” absolutamente distorcida: “a explosão populacional, sempre associada à escassez de comida.”

As duas premissas são totalmente equivocadas.

A mente do ego pode apenas projetar o futuro a partir das experiências passadas. Assim, insistentemente, continuamos a projetar o futuro como uma mera réplica dos dramas já vividos. 

E, sim, há quem insista em soar as mesmas trombetas do Armagedom. Bem, eles têm o direito, afinal, vivemos num plano de livre-arbítrio. Essas pessoas estão fazendo isso há tanto tempo, repetindo padrões dramáticos e semeando medo, viciadas que estão no negativismo. Ou seja, apenas ver o que falta, apenas focar no que não deu certo. 

Vivem mergulhadas na luta contra o mal, quando o mal é a própria luta!

Assim, as contínuas mudanças e transformações que vivenciamos, individual e coletivamente, continuam eclipsadas, visíveis apenas aos olhos de quem quer ver. Então, venha olhar para o que já está dito e publicado através de fontes oficiais.

Crescimento populacional.

O que temos é uma irreversível tendência de diminuição populacional!

Existe um índice chamado taxa de fertilidade, que é uma maneira de projetar o futuro da evolução populacional de uma nação. É simples: ele aponta quantos filhos cada mulher está gerando, em média, numa determinada população.

Já é sabido que a população de uma comunidade se torna estável quando a taxa está ao redor de 2,1 filhos por mulher.

De fato, o Brasil já expressou taxas de fertilidade bastante elevadas — 6,06 filhos por mulher em 1960. Por vários fatores, e cito apenas alguns exemplos, como a queda na mortalidade neonatal (não precisamos mais gerar inúmeros filhos para garantir a sobrevivência da família) e o planejamento familiar (uso de métodos contraceptivos), esse índice despencou para 1,65 em 2020 (fonte: Banco Mundial).

A população brasileira apenas não está diminuindo hoje porque há um aumento na expectativa de vida, o que compensa o menor número de nascimentos.

No exemplo da China (taxa de 1,16*), que praticou a política de “apenas um filho” a partir de 1979, temos uma nação que está colhendo os frutos do que semeou. Ao escrever estas palavras, a China está em seu terceiro ano consecutivo em que morreram mais pessoas do que nasceram.

Mais ainda, a cultura de filhos únicos pegou. Apesar de já terem flexibilizado a regra, as famílias se acomodaram ao conceito de filho único. Hoje, criar e educar um filho tornou-se muito caro na China. De fato, ninguém está mais disposto a se sacrificar para gerar mais soldados para a nação.

A Índia, que em 1960 apresentava a mesma taxa de fertilidade do Brasil, em 2020 estava em 2,05. Portanto, no limite de uma população estável. Logo, o país mais populoso do planeta não aponta para crescimento populacional.

Estima-se que até o final deste século, a população do Japão deva ser a metade do que é hoje. Numa cultura que ainda sustenta uma estrutura secular, as mulheres não querem se casar. O Japão é, ademais, altamente xenofóbico, onde estrangeiros não são bem-vindos para fazerem parte das comunidades. Assim sendo: o último que apague as luzes…

A União Europeia está dando sinais de estabilidade com uma taxa média de 1,53 filhos por mulher em 2021. Ou seja, cada nova geração chega em menor número do que a anterior; apenas a velocidade de declínio populacional diminuiu. O principal fator para evitar um declínio maior são os refugiados, mas principalmente as políticas para atrair imigrantes.

Estudos recentes de demografia apontam que a Alemanha apresenta um quarto da população de origem estrangeira — nascidos em outros países ou filhos e netos de estrangeiros. É essa política demográfica, atrativa para estrangeiros, que está sustentando a pujança econômica de um país que ancora a União Europeia. 

A taxa de fertilidade mundial está em 2,55 filhos por mulher. Em declínio.

Taxas elevadas de fertilidade são percebidas principalmente em países africanos.

Curioso é que a África é o continente onde se originou a nossa espécie.

E a África é o continente que está compensando a queda populacional do planeta.

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Minha caminhada desde Saint-Jean-Pied-de-Port, na França, cortando os Pirineus até Santiago de Compostela, na Galícia (Espanha), cruzou por inúmeros vilarejos e pequenas cidades em evidente estado de declínio populacional.

Pequenos povoados há muito não dispõem de escolas, exigindo dos alunos o deslocamento diário para as escolas disponíveis em centros mais populosos.

De fato, avistar crianças na Espanha é comum apenas em centros urbanos maiores. São inúmeros os vilarejos em extinção, com casas fechadas por falta de habitantes.