Escassez de comida.
Já é sabido e vaticinado: não há escassez de alimentos. O que existe é muita perda e, principalmente, má distribuição de alimentos no mundo.
Vamos olhar o que está acontecendo.
Há países que estocam alimentos nos corpos das pessoas. O nome disso é obesidade.
A obesidade é uma pandemia que assola o planeta como um todo. Populações de baixa renda têm se revelado como as mais sensíveis a esse fenômeno.
A industrialização da comida — incluam-se as bebidas — tem gerado produtos mais acessíveis em custo, porém disruptivos para o equilíbrio nutricional.
Traduzindo em miúdos: comida industrial é mais barata, mas engorda e adoece quem a consome!
A revolução industrial marca o momento histórico em que calor foi transformado em trabalho (máquina a vapor). Permitiu a automação dos processos industriais e a produção em larga escala.
Essa mesma revolução chegou à agricultura, aumentando a eficiência produtiva e a produtividade de nossos cultivos e da produção animal. A comida ficou mais barata, mas, para isso, o frango nasce, cresce e morre sem ver a luz do sol.
A proteína animal sempre foi escassa em nossa alimentação ancestral. Apenas recentemente surgiram as churrascarias onde o cliente pode consumir carne à vontade. Onde o consumo dos cinquenta gramas de carne diários, recomendados no passado por nutricionistas, podem alcançar números dignos de um felino de grande porte.
Vamos deixar os extremos de lado. As porções de carne num prato de sucesso comercial falam de cento e cinquenta a duzentos e cinquenta gramas.
Não estou aqui para orientar qualquer consumidor de comida, mas tão somente para olhar o que é.
Portanto, vamos lá:
Para produzir um quilograma de porco em pé, são necessários cerca de seis quilogramas de ração — basicamente uma mistura de soja e milho. O índice de desfrute da carcaça (sim, essa é a expressão técnica) de porco é da ordem de 50%. Ou seja, metade é carne que vai para a prateleira do açougue; a outra metade são ossos e partes não consumidas por nós, como vísceras, por exemplo.
Portanto, para produzir 1 kg de carne de porco, usamos 12 kg de ração.
A carne contém 80% de água. A ração contém apenas 8% de água.
E se trocarmos a soja e o milho da ração por feijão e arroz, mais palatáveis ao consumo humano? E se cozinharmos tudo isso? O que teremos?
Numa rápida olhada na internet, identifiquei que, quando cozidos, o arroz e o feijão rendem cerca de 2,5 vezes o peso original. Já a carne de porco cozida perde cerca de 20% do peso original.
Assim, 12 kg de uma mistura de arroz e feijão cozida rende cerca de 30 kg de comida pronta.
Quanto tempo uma pessoa pode viver, alimentando-se de 0,8 kg de carne de porco? E quanto tempo essa pessoa pode viver comendo 30 kg de arroz e feijão?
De forma simples, se essa pessoa comer 1 kg de comida por dia, terá comida para 1 dia se optar pela carne de porco, e para 30 dias se optar pelo arroz e feijão.
Essa é a conta feita pelos ecologistas. E eles têm razão ao explicarem o enorme dispêndio energético para produzir proteína animal.
Deixo, também, as discussões nutricionais de lado.
Apenas reforço que o movimento “plant-based food” — comida feita com plantas — deixou de ser apenas teórico e encontra lugar nas prateleiras dos mercados e mesas dos restaurantes.
Apenas para citar um exemplo, soube de uma empresa que lançou um hambúrguer vegetal com cara e sabor de carne. Disparou, nos Estados Unidos — a terra do hambúrguer —, a moda da segunda-feira sem carne. No primeiro ano, foram mais de cem mil hambúrgueres vendidos: cerca de 15 mil toneladas de carne substituídas por vegetais diretamente na alimentação humana.
Usando a mesma relação da carne de porco, 15 mil toneladas de carne consomem 100 mil toneladas de ração.
Agora, eu e você: como ficamos neste cenário?
Não estou aqui fazendo apologia ao vegetarianismo, mas apenas buscando olhar o que é.
Há um crescimento de pessoas buscando uma alimentação mais saudável.
Há uma tendência de retornar àquilo que nossos ancestrais comiam: comida fresca, recém-cozida, com presença moderada de proteína animal.
Porém, a jornada para uma alimentação de melhor qualidade é uma escolha pessoal de cada ser humano.
Não há certo ou errado. E, sim, há grandes questões econômicas e políticas envolvidas.
O que, de fato, é crucial para mim e para você diz respeito ao que vamos colocar em nossos pratos a cada refeição.
Na Nova Era, somos capazes ou, pelo menos, estamos aprendendo a nutrir nossos corpos físicos a partir do que eles precisam. Não mais uma nutrição baseada em vícios alimentares, ou em fórmulas e tabelas que dizem o que tenho que comer.
No final das contas, somos eu e você que vamos decidir o que colocar no carrinho do supermercado, na sacola da feira e, finalmente, no prato.
O que realmente o seu corpo precisa?
Exames indicam as carências, os desequilíbrios.
Que tal perguntar ao seu corpo o que ele precisa?
Ele sabe. Ele quer conversar com você.
É um ato de grande poder aceitar que estão em você todas as respostas de que você precisa.
Está dentro de você a melhor informação para dar suporte à sua saúde.
Nada está sendo refutado aqui. Nenhuma ferramenta. Nenhum exame ou tecnologia disponível. Use o que sentir que precisa.
Lembre-se de que sempre será você quem vai escolher o que colocar no seu prato.
Qual parte e aspecto do mundo você vai colocar dentro de você.
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