Madrugada fria de outono, o fogão a lenha irradiando o seu calor. Encontro o silêncio para olhar alguns trancos que recebi.

Sim, a trajetória evolutiva humana passa pelo trauma como uma ferramenta motora. Eu, com certeza, e você, possivelmente, somos cabeça-dura; o sofrimento ainda é um parâmetro de nossa própria evolução. Se não houver dor e luta, a experiência não tem valor.

O impulso para a mudança vem de dentro: energia reprimida que sempre vai se manifestar. O tranco marca a liberação da energia reprimida, o limiar da mudança em ação.

Sempre fui proativo na busca de minha própria evolução e crescimento. Porém, estou — e ouso dizer, estamos todos — sujeitos a zonas de conforto.

Não sendo diferente para mim, foram muitos trancos e barrancos que geraram mudanças talvez sutis ou verdadeiras guinadas de rumo na minha vida.

Ao longo da infância e adolescência, registrei nove pontos de costura na cabeça em três eventos, todos suturados na farmácia do bairro: tombo da bicicleta, quina da escada, tijolo de parede de obra que soltou e caiu na cabeça quando tentei escalar a parede…

No joelho, uma machadada, dada por mim mesmo na adolescência. Hoje, ainda há uma sensação diferente na área, que ficou dormente desde então.

Sim, várias presepadas, tombos e impactos.

A mensagem foi sempre a mesma:

Acorda!

Acorda!

Acorda!