Sofrimento & Karma – as velhas energias

 

Alegria

Estamos, enquanto humanidade, diante de um grande desafio nestes tempos.

De fato, o desafio se apresenta para as pessoas que estão escolhendo sair de um velho sistema sustentado no medo, na doença, no envelhecimento, na dor e no sofrimento.

Tanto maior é o desafio para aqueles que não conseguem vislumbrar nada além da miséria humana. Tenha claro que, neste plano de livre-arbítrio, eles têm esse direito.

Contudo, você está lendo ou ouvindo estas palavras; portanto, está se abrindo para uma possibilidade diferente.

O que é alegria?

Toda e qualquer definição estará sempre muito aquém da realidade de experienciar a própria alegria.

Ainda assim, ousarei trazer algumas impressões para dar uma pista do que possa ser essa energia angelical e termos uma percepção de sua dimensão e poder.

O poeta romântico alemão Friedrich von Schiller compôs, no final do século XVIII, um poema que ficaria mundialmente conhecido, chamado “Ode à Alegria” (An die Freude).

Esse poema tornou-se a letra musicada do último movimento da Nona Sinfonia de Ludwig van Beethoven, considerada a obra-prima desse compositor.

Nessa magnífica obra, a alegria é a “formosa centelha divina” que reúne tudo aquilo que foi separado, tornando todas as pessoas uma só irmandade.

Na intensidade da dualidade, todos nós que aqui escolhemos encarnar somos impulsionados no aprendizado da cooperação. Nossa sobrevivência depende diretamente da capacidade coletiva de cooperarmos uns com os outros. Assim, no tecido social, dividimos tarefas, em que cada função ou atividade se complementa nas demais.

Basicamente, a alegria é o fluido energético divino que une a todos, dissipa as polaridades, aproxima e irmana os opostos.

. . .

O sistema cármico, tal qual vem sendo ensinado como instrumento para criar equilíbrio em questões não resolvidas em vidas passadas, está em dissolução.

Esse sistema operacional de causa e efeito no tecido social já não tem mais função para quem assim escolher.

Ao longo de muitos milênios, criamos um poderoso sistema de crenças, que formou o arcabouço do que chamamos de karma. Sim, criamos todos nós, seres humanos, através de todas as vidas vividas por cada um. Esse campo mórfico delineou os mecanismos para equilibrarmos todas as tensões derivadas do medo em um ambiente de livre-arbítrio.

Vamos imaginar o seguinte exemplo:

Numa determinada vida — ou várias vidas — em que eu e você fomos contemporâneos, tínhamos desejos e opiniões opostas sobre um assunto: eu queria impor que você me servisse, e você queria impor que eu o servisse. Passamos vidas lutando para impor um ao outro a nossa vontade e, assim, competimos e lutamos para alcançar nossos intentos. As regras do jogo? Nenhuma, além do livre-arbítrio — ou seja, os fins justificam os meios.

Matamos e morremos, lutamos o “bom combate”. Quando um vencia, o outro amargava a derrota, e vice-versa. E, embora óbvia a última assertiva, ela traz à superfície a impossibilidade de ambos vencerem ao mesmo tempo. A cada derrota, ficava o desejo de vingança ancorado na raiva.

Essa energia ainda permeia muitas relações entre pessoas, famílias, grupos de diferentes culturas e religiões, países. Mais do que permear, a competição é alimentada, estimulada, imposta: nas famílias, nas escolas, nas mídias, nos noticiários, no trabalho, nas conversas, nas relações humanas.

Enquanto humanidade, em livre escolha de cada um de nós, optamos por nos submeter ao medo! E, sob a égide do medo, nosso sistema cármico foi estruturado.

Assim, escolhemos ser amaldiçoados — de fato, amaldiçoamos a nós mesmos — a arcar, a cada vida, com o fardo das vidas passadas.

Como saímos desse jogo?

Você e eu estamos fazendo isso aqui. Conforme eu tomo conhecimento de como funciona o jogo, posso escolher parar de jogar.

A cura vem pela compaixão! À medida que consigo ter compaixão por mim mesmo, a cura torna-se possível.

Vivemos os tempos da Revelação, trazida pelas escrituras sagradas (Apocalipse, em grego, significa revelação). E esta é, talvez, a grande revelação destes tempos: o fim do karma.

Uma vez que você compreenda como funciona o jogo — ou seja, um novo nível da sua verdade se revela —, pode escolher deixar de sofrer influência dele.

Você pode escolher, agora, abandonar a sua vassalagem ao medo!

Perceba as implicações:

1ª – Tudo aquilo que eventualmente ficou incompleto em vidas passadas deixa de afetar você hoje.

2ª – Você tira o foco do sofrimento e traz sua percepção para a sabedoria, para a realização, para a alegria e todo o aprendizado alcançado em vidas passadas.

3ª – Você passa a construir a sua realidade hoje, a partir da sabedoria e da alegria de suas experiências passadas.

Neste novo mundo que estamos construindo juntos, não julgamos nem condenamos o que quer que tenhamos vivido no passado. Apenas acolhemos tudo e, conscientemente, escolhemos ancorar em nossas vidas, hoje, toda a experiência e sabedoria para a realização, agora.

A metáfora do jogo de futebol:

Nos encontramos para bater uma bola. Nos distribuímos em dois times. Soltamos a bola, chutamos a bola, chutamos a canela do adversário, xingamos o juiz, esbravejamos em rompantes de razão totalitária. Reclamamos de nossos colegas que não passam a bola e fazemos referências pouco lisonjeiras às mães de muitos presentes.

Ao final da partida, os ânimos estão abrandados pelo cansaço da batalha. Abrimos espaço para alguma solidariedade e seguimos, abraçados, todos juntos, para o bar mais próximo, para celebrar a vida com uma cervejinha.

Vivemos o tempo de acalmar os ânimos e celebrar as jornadas vividas. Entender que matamos e morremos no percurso de muitas vidas vividas.

A sabedoria é alcançada quando paramos de projetar fora qualquer causa ou efeito de nossas escolhas.

A sabedoria é alcançada quando escolhemos olhar para aquilo que é!

Quando os mecanismos de julgamento e condenação cessam, podemos acolher em compaixão todas as experiências vividas.

A sabedoria é um derivativo da compaixão.

A compaixão é a sabedoria em ação.

O resultado: a alegria.

Fim do jogo!