“Quando nos alimentamos, colocamos o mundo dentro de nós!” – Dhyan Deepak
Para podermos estar neste planeta, recebemos de nossos pais biológicos um corpo físico. Este corpo físico é “construído” com elementos do planeta. Tomamos emprestada a substância do planeta para estruturar nossos corpos. Fazemos isso toda vez que ingerimos água e nos alimentamos. Fazemos isso toda vez que respiramos, trocando o ar de nossos pulmões pelo ar da atmosfera de Gaia.
É fundamental termos clareza da nossa conexão com o planeta para entendermos nosso papel no plano terreno.
O conceito de Mãe Terra, Pacha Mama, Gaia, não é mera retórica ou apenas uma forma de expressão. É muito mais do que isso!
Os antigos, em suas culturas — consideradas por nossa sociedade atual como primitivas —, eram, de fato, muito mais avançados do que nós, arvorados que estamos em nossa arrogância intelectual pós-moderna.
Eles estavam alinhados com Gaia. Tinham consciência de sua dependência do planeta e viviam de acordo com esse entendimento, respeitando as fontes de alimento e buscando viver de forma harmoniosa com o meio que habitavam.
Vamos explorar isso.
A energia que uso para escrever este texto vem do Sol.
O Sol irradia todo o seu espectro luminoso, e nosso planeta, em sua jornada orbital, recebe essa radiação em sua superfície. A luz solar que recebemos ao longo do dia é filtrada pela atmosfera planetária, que reduz sua intensidade e “seleciona” segmentos luminosos do próprio espectro solar.
Assim, essa luz filtrada incide sobre todas as formas presentes na superfície do planeta — entre elas, as plantas e algas.
As plantas e algas têm a capacidade de capturar a luz solar por meio de suas organelas fotossintéticas (cloroplastos) e transformá-la em energia química. Assim, são capazes de produzir açúcares a partir do gás carbônico e da água, utilizando a energia do sol.
Seja nos alimentando diretamente das plantas e seus frutos, ou indiretamente, por meio de animais (leite, carne, ovos etc.), sempre buscamos a energia do Sol para termos vitalidade e realizarmos o que quer que escolhamos fazer a cada momento.
Toda e qualquer reação bioquímica em nossos corpos usa a luz solar como fonte primária de energia. Nossa grande Mãe planetária acolhe a energia do Sol e sustenta, em sua superfície, todas as formas de vida — inclusive a nossa.
Portanto, nossa existência depende diretamente do Sol e de tudo o que recebemos de nossa Mãe Terra.
Talvez possamos aprender com nossos ancestrais a reconhecer e honrar o muito que recebemos, de forma incondicional, de nossa grande Mãe, e retribuir essas dádivas com nosso empenho e cuidado com este lindo planeta.
Como exemplo, cito o Japão, país dedicado à restauração das matas nativas. Hoje, 80% do território japonês está coberto por florestas. Localizado na interseção de três placas tectônicas, o Japão é frequentemente abalado por terremotos. Curiosamente, embora as atividades vulcânicas estejam muito ativas nestes tempos, o arquipélago japonês tem sido exposto a intempéries sísmicas menos impactantes. Sim, há o uso de tecnologias que minimizam a intensidade dos terremotos nas construções, mas existe algo mais.
Deixo algumas perguntas para reflexão:
Até que ponto o cuidado com o ambiente nessas ilhas é um fator preponderante para aplacar os movimentos sísmicos na região?
E a dança da chuva, faz sentido?
Qual é o potencial de interagirmos e influenciarmos o ambiente ao nosso redor a partir de nossas consciências?
Minha resposta: potencial ilimitado!
Nossos ancestrais faziam isso. Os japoneses fazem isso. Vivemos o tempo de relembrar e voltar a fazer isso! De fato, estamos fazendo — e faremos muito mais, à medida que, enquanto humanidade, nos transformarmos em guardiões e jardineiros do planeta.
Hoje, ainda temos uma visão coletiva mecanicista e maniqueísta, que atribui a causa do aquecimento global às nossas emissões de gases que alimentam o efeito estufa.
Quanto somos capazes de gerar aquecimento global apenas porque acreditamos nessa verdade? Em outras palavras: criamos o aquecimento global apenas por causa das emissões de gases ou, talvez, porque acreditamos nisso?
Se eu acredito, eu crio!
Há uma jornada sendo empreendida para deixarmos de ser predadores e nos tornarmos, conscientemente, criadores da realidade do planeta.
Talvez você possa se abrir para a possibilidade de que, inconscientemente, já fazemos isso, ou seja, criamos a realidade do planeta. Porém, essa criação é feita a partir do medo. Eu tenho medo do aquecimento global, assim eu crio exatamente o que temo que possa acontecer. E se todos os oito bilhões de seres humanos encarnados têm essa mesma crença — aquecimento global — o poder de criação se expande, multiplicado por oito bilhões.
Ainda desconhecemos o incrível poder que é inerente a cada ser humano. Mas esse poder pessoal e coletivo está sendo revelado.
Este é o tempo para isso.
Deixar de competir pelos recursos do ambiente para cooperar com a sustentabilidade do meio em que vivemos.
Chegaremos lá.
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O supermercado é uma extraordinária invenção da humanidade, o suprassumo desta civilização da qual nos orgulhamos.
É flagrante a minha satisfação ao pegar o carrinho e entrar nessa meca do consumo.
Os corredores infinitos, com a exposição de suas mercadorias multicoloridas… A criança interior adora.
Caminhar diante das inúmeras cores, marcas, tamanhos e formas das guloseimas carregadas de açúcares, olhar, ver e passar adiante sem cometer a fraqueza de colocar algum desses itens no carrinho. É… às vezes algo cai no carrinho.
Percorrer a seção de frutas e verduras, escolher o que levar para casa — acho que é apenas isso que sobrou do instinto do caçador: caçar bons produtos a bons preços. Antever os preparos culinários dentro das minhas mais ou menos limitadas habilidades no comando do forno & fogão.
Não se preocupe, sou humano, assim como você. Não são raras as presepadas de levar algum item que possa macular minha ilibada autoimagem de consumidor de produtos saudáveis…
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O almoço com os colegas de trabalho naquela empresa de origem alemã que me acolheu por meia década sempre terminava na cantina, com um cafezinho expresso, que eu já tomava sem açúcar — fruto de um adestramento autoimposto. De fato, adoçado, o café me era, a partir do adestramento, enjoativo.
Terminada a parte social com os colegas, às quartas-feiras, eu escapava para ir até uma feira de rua de grande porte que havia a pouca distância do escritório.
Chegava lá por volta das 13h, atento aos chamados dos feirantes anunciando suas frutas e verduras.
Havia aprendido, com conhecimento de causa de caçador, quando a hora da xepa acontecia. Os vendedores começavam a elevar suas vozes, anunciando a plenos pulmões os preços de liquidação. Naquele horário, os comerciantes já tinham “feito a feira”: arrecadado valor suficiente para a reposição dos produtos, pagamento das despesas e colaboradores, mais a lucratividade. De forma que, a qualquer preço que pudessem vender o estoque remanescente, esse valor iria se somar ao lucro.
Experiente, eu conhecia as barracas que vendiam frutas de melhor qualidade e, quando o volume do som se elevava, era para lá que eu ia.
— Quanto está a bandeja de manga?
Após a resposta do comerciante:
— E todas estas bandejas, quanto você faz?
Conforme a época do ano, eu saia da feira com o porta-malas carregado com caixas de mangas, uva Santa Isabel para fazer suco (sem aditivos e muito menos açúcar), em quantidade para congelar e consumir ao longo de muitos meses, melões, abacaxis… e a lista se estende.
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Um dos poucos livros que li, talvez, várias vezes foi “Na terra dos lobos”, de Jack London.
Os contos retratam experiências vividas em regiões inóspitas, adjacentes ao Círculo Polar Ártico, que muito me impactaram.
Seguramente, eu morri de frio e fome nessas paragens, talvez em mais de uma vida por lá vivida.
Ao chegar em casa ao final do dia, após uma boa xepa, passava horas lavando e desengaçando uvas para o cozimento. Homogeneizava com o mixer, peneirava para remover as sementes e, finalmente, colocava o suco concentrado em sacos plásticos para esfriar sobre a pedra da pia, antes de congelar.
A geladeira cheia era sinônimo de satisfação.
Ver minha filha mais velha entrar de pijama na cozinha, no final de semana, para cumprir o ritual de abrir a porta da geladeira, escanear o conteúdo, fechá-la novamente e manifestar algum leve sinal de aprovação com um ligeiro sorriso era tudo o que eu precisava.
Definitivamente, morremos todos de fome em várias vidas.
Maná
O alimento bíblico que nutriu toda uma população em êxodo pelo deserto, conduzida por Moisés durante 40 anos, carrega uma distorção intrínseca, que persiste no imaginário e no inconsciente coletivo de toda a humanidade.
Ao criarmos peças cinematográficas sobre o evento, o Maná cai do céu na forma de flocos de algodão, coletados pelo povo eleito para se alimentar. Portanto, entendemos o Maná como um alimento que vem de fora.
A criança em formação no útero materno, além da nutrição que recebe por meio da placenta da mãe, também se alimenta de Maná. Isso acontece porque pertence à natureza humana — à genética humana — produzir o próprio alimento energético.
De fato, crianças que nascem sem maiores traumas (durante a gestação e o parto), continuam a produzir Maná. Eventualmente, a mãe ainda não “soltou” o leite e a criança não perde peso, pois continua a nutrir a si mesma nesses primeiros dias de vida.
Conforme a criança começa a se alimentar — seja por meio do leite materno ou de qualquer outra fonte de alimento material, inclusive água — passa, então, a perder (ou esquecer) a habilidade de produzir o próprio alimento energético.
Atualmente, está disponível a possibilidade de reativar essa produção de Maná. É um trabalho de três dias, em que o aluno ativa a produção desse alimento energético.*
De fato, produzir o próprio Maná é, por si só, um ato de ruptura com a realidade percebida pela coletividade. Nesse ato, você deixa de depender exclusivamente de fontes externas de alimento. Você se torna um ser autônomo.
É verdade que, hoje em dia, a imensa maioria das pessoas que ativaram a sua produção de Maná ainda ingere alimento físico. Isso porque todos carregamos fortes vínculos emocionais com a comida, além de questões sociais ligadas a receber, visitar, encontrar pessoas — o que, em geral, acontece ao redor de uma mesa com comida e bebida.
Mais do que isso, a alimentação com a comida do mundo nos mantém conectados a este plano físico, configurando-se como fator de prazer e alegria. É celebrar nossa existência num corpo físico neste planeta.
Seja como for, a escolha de cada pessoa em ativar a sua produção de Maná é um instrumento para equilibrar a sua relação com o mundo, no que diz respeito à alimentação. Além de ajudar a dissipar compulsões alimentares e nutrir o corpo de forma mais ampla e eficiente.
Produzir o seu próprio alimento energético é um ato de poder. Significa tomar posse de quem você é. Apropriar-se de quem você é e do seu poder pessoal de criação.
*O workshop de produção de Maná acontece em três dias e demanda um professor formado para esse fim. O processo foi canalizado por Christine Day e faz parte das Frequências de Brilho. Dhyan Deepak é professor de Maná.
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