Tomando posse do seu poderoença

 

“É parte da cura o desejo de ser curado.” — Sêneca

 

Doença & Envelhecimento, as opções derradeiras do corpo

Minha mãe me disse: “A ‘veiera’ me pegou!”

Nestes muitos anos de convivência com ela, sob o mesmo teto, busquei “ajudá-la”. Coloquei-a na maca e apliquei o que sei fazer. Ela começou a responder ao tratamento, manifestando enjoo e mal-estar após o trabalho.

A cada sessão, comecei a perceber o desconforto dela, a rejeição ao processo que a levava ao sofrimento.

Do ponto de vista dela, é isso: recebo o trabalho e me sinto mal depois.

Portanto, o trabalho é o causador do meu mal-estar.

Era impensável para ela aceitar que o mal-estar que sentia após uma sessão era a densidade se manifestando para ser liberada.

Passei, então, a aplicar meus trabalhos apenas nas crises.

Foi desafiador honrar a escolha dela. A escolha de envelhecer.

“A ‘veiera’ me pegou.” Portanto, o envelhecimento veio de fora.

Supondo que ela entendesse que criou o próprio envelhecimento, a consequência seria achar-se incompetente para fazer uma criação melhor. Logo, continuar na vítima!

É uma armadilha mental: a culpa do que me acontece está sempre fora. 

É grande o desafio de assumir responsabilidade pela própria criação.

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Assisti a uma palestra de Amyr Klink, aquele navegador que atravessou um inverno num barco que ficou imobilizado na Antártida, na qual ele disse algo fascinante após um pequeno acidente — quebrar o braço de uma chaleira que ficou congelada numa superfície. Não nestas palavras, mas com este conteúdo:

“O grande desafio de ficar sozinho num barco ao longo de muitos meses imobilizado pelo gelo é que, se algo der errado, não tem ninguém ao meu redor para colocar a culpa.”

 

O Fardo da Dualidade

O declínio para uma faixa energética densa, na qual ainda vivemos, cobra um preço alto de todos os sistemas vitais.

Através de inúmeros mecanismos, sobrecarregamos nossos corpos com cargas energéticas pesadas: medo, dor, raiva, mágoa, tristeza, depressão, culpa, ressentimento, ansiedade, angústia etc.

O ser humano, para poder existir e se expressar neste plano físico, articula enorme complexidade e sofisticação. Usamos essa complexidade e sofisticação para sobreviver, para não olhar, para não sentir o que rejeitamos. Somos muito bons nisso: esconder algo de nós mesmos.

Toda manifestação das doenças deriva da forma como nos relacionamos com as frequências densas deste plano físico.

Ocorre que, conforme nos desenvolvemos ao longo da vida, vamos acumulando um grande conjunto de “sofrimentos”. 

Acumulamos como?

A criança cai. Machuca o joelho. A criança sente a dor e chora.

O adulto ao redor vai lá, toma a criança nos braços e tenta distraí-la do que ela sente: “Não foi nada”, “Já passou…”, “Vamos soprar que passa”, “Vamos comer um doce…”.

O que a criança sente não está sendo honrado. Não está sendo reconhecido. A criança está sendo treinada para não reconhecer a dor como sua. Vem de fora. Não fui eu quem ralou o joelho, foi o chão áspero que fez isso em mim.

A moça leva um fora do namorado. As amigas vêm em mutirão para levá-la para um banho de loja, mudar o look no cabeleireiro etc. Tudo para distrair a atenção da amiga do sofrimento, do luto da perda, da morte de um relacionamento.

No escritório, as conversas de corredor. A regra: de quem vamos falar mal hoje? A fofoca: o exercício do julgamento e da condenação. Aos praticantes: a raiva, a inveja, o ciúme, a mágoa, o ressentimento, vai tudo para o corpo. Não para o corpo de quem é falado, mas de quem fala.  

Ao não reconhecer o que é meu, ao não olhar para mim mesmo, eu acumulo a energia rejeitada. Eu projeto essa energia no outro, o outro é o culpado do que eu sinto. Ao projetar a origem fora, a energia se acumula dentro. Eu olho para fora, para julgar e condenar o outro, para me furtar de olhar dentro. E onde essa energia densa fica acumulada? No corpo físico! No meu corpo físico!

Experiências traumáticas vão se sobrepondo, resultando em fardos energéticos aos quais nos percebemos aprisionados — ou, frequentemente, não percebemos.

Somem-se às experiências vividas nesta vida, todas as experiências vividas em vidas passadas.

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Nossos corpos respondem às cargas tóxicas de forma extremamente individual, de acordo com a experiência — tanto de vidas passadas quanto da experiência da alma, inclusive de antes de virmos para este planeta — somadas à maior ou menor estabilidade do sistema familiar que escolhemos integrar nesta vida. Mais ainda, a educação e o aprendizado que recebemos dos sistemas familiares, escolas e todas as experiências vividas.

Portanto, cada ser humano tem uma combinação única de fatores existenciais para lidar com suas cargas emocionais não dissipadas. Sim, porque este é o objetivo: dissipar cargas tóxicas.

A opção da manifestação física — seja da doença ou do envelhecimento (que também é doença) — é sempre a última alternativa para o corpo consciente.

Ocorre que nosso corpo mental ainda ancora a mente do ego, que se formou a partir do medo e que opera de forma seletiva para aquilo que eu quero sentir e o que não quero sentir.

De forma simplista, o que não quero sentir vai se acumulando em meus corpos e, para bloquear a emoção indesejada, há um dispêndio crescente de energia conforme mais densidade é acumulada, ainda que eu não perceba.

Os corpos, em conjunto, trabalham para manter o balanço energético. Porém, esse equilíbrio vai se tornando cada vez mais frágil conforme o acúmulo de energias densas é maior. 

Considere ainda o aumento de pressão com memórias replicadas de vidas passadas, as quais se sobrepõem nesse acúmulo denso. Não, você não precisa lembrar de nenhuma vida passada para isso, apenas a energia densa está aí, no seu corpo.

A simples existência desses bolsões de densidades transmite à consciência corporal exatamente o que são: frequências densas.

O corpo consciente, ligado ao seu DNA, capta a mensagem e responde a ela debilitando ou hiperestimulando o sistema imunológico, diminuindo a vitalidade, enfim, adoecendo e envelhecendo o corpo físico, para que a densidade possa ser liberada.

Há um outro fator-chave ligado ao próprio corpo mental, que abraça crenças limitantes. Assim, por meio desse corpo, tendências estatísticas tornam-se verdades absolutas. O que vale para a média ao meu redor torna-se verdadeiro para mim.

A criança vê os avós envelhecerem e acolhe o fato como verdade, transmitindo ao corpo consciente a mesma mensagem — construindo, assim, o próprio envelhecimento.

Perceba a enorme influência externa na expressão individual de cada ser humano: somos bombardeados com informações que nos empurram para esse mesmo buraco de manifestar as densidades acumuladas nos nossos corpos físicos.

Eu olho no espelho e vejo uma ruga nova. Lembro qual idade tenho e reconheço o meu envelhecimento. Reafirmo o meu envelhecimento. 

O médico vai me dizer: “Para a sua idade…”

Perceba: eu tomo como verdadeira a informação que veio de fora, a qual me ensinou que, nesta idade, é normal enrugar!

Ao aceitar como verdade o enrugamento, eu crio essa verdade para mim mesmo. Poderoso, não?

Pergunta: o que você quer criar para você?

Talvez você possa estar escolhendo criar a cura.

Dar permissão para a cura.

Aceitar a mudança que a cura traz.

 

Criando a mudança para a cura

Vivemos um tempo abençoado em que podemos descarregar as densidades de forma acelerada e já somos capazes de eliminar muitos programas mentais deletérios.

Estes são tempos de limpeza. Já foi muito mais difícil deixar ir as densidades e programas autodestrutivos.

De fato, há um aspecto decisivo e fundamental para sairmos dessa ratoeira de densidades:

Conscientemente, escolha olhar o que deu certo, o que está dando certo!

 

Coletivamente, praticamos uma caça a fantasmas. Fazemos terapias focando no que deu errado, na dor, no sofrimento. 

Essa é uma programação mental baseada no medo e na crença do sofrimento. Nos pregamos em uma cruz e replicamos infinitamente a via- crúcis. 

Sim, acessar a densidade é necessário, mas igualmente importante é permitir-se desprender, desapegar-se do trauma, deixar ir.

Podemos escolher sair da cruz e deixar ir. Soltar esses fardos energéticos e o próprio sofrimento. É possível, está à mão. 

Agora, foi você quem se pregou nessa cruz que carrega. Foi você quem escolheu trancar a energia densa, o trauma, o sofrimento. E é você, apenas você, quem pode libertar-se da cruz.

Hoje tudo está à mão. Tudo o que nos fere e nos afasta da própria luz está pronto para desprender-se em escala acelerada.

Mas e aí, o que deu certo para você?

Vamos simples: você está vivo! Você está buscando! Você está aqui!

Você escolheu estar aqui!

Você está lendo ou ouvindo estas palavras — saiba que este pode ser o seu momento de virada para uma vida de cura e rejuvenescimento.

E não precisa ser perfeito. Não existe essa possibilidade neste plano físico.

Portanto, apenas dê o próximo passo. Perfeitamente imperfeito.

A escolha é sua. A escolha é sempre sua.

Que assim seja.