Na natureza, tudo busca o equilíbrio.
A água flui para o ponto mais baixo. A carga positiva neutraliza a negativa.
A doença é o resultado da busca do corpo pelo equilíbrio.
Uma energia precisa ser liberada ou compensada para a estabilização de uma área do corpo. A manifestação da doença é a manifestação do processo de compensação da energia reprimida no corpo.
Por que a energia densa se acumula no corpo?
Porque você escolhe! E, embora essa escolha seja, em geral, inconsciente, você faz isso seletivamente o tempo todo.
Como uma energia densa se acumula no corpo?
Ao rejeitar olhar para ela. A exclusão, a não aceitação do que sinto, projeta a energia para o corpo.
O fato de eu não perceber uma energia no meu corpo não significa que ela não exista.
O que escondo de mim mesmo, ainda que eu não saiba, é o que me deixa doente e envelhece meu corpo.
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O Soldado
Houve que parar de chorar. Um adolescente, um homem que chora, é fraco!
Houve que engolir a raiva, a decepção, a frustração. Criar uma couraça para que ninguém visse a minha fragilidade, a minha tristeza.
O homem, o pai de família, o coordenador de equipes de trabalho, o gerente, o diretor. Nesses arquétipos sociais, não há espaço para manifestar qualquer vulnerabilidade.
Estoico, eu mantinha a pose, a gravata de seda pintada à mão – acho que ainda tem alguma pendurada no armário. O capitão do navio, transmitindo segurança para os marujos apavorados com a tempestade.
O riso e a gargalhada encobrem o medo. Medo da rejeição, medo da falta e da escassez, medo da indiferença do chefe. A arrogância, “a piada de mau gosto”, o sarcasmo, o criticismo ácido.
Tudo isso para, elegante ou deselegantemente, ocultar o medo da criança.
Eu estudava, lia, buscava encontrar ferramentas para conseguir me estabilizar. A construção de um arcabouço mental que me desse condições de não sucumbir ao porão, com toda a sua escuridão, incertezas, inundado de emoções densas.
O porão pressiona para se manifestar, como que forçando as portas para despejar no mundo, na minha vida, todo o desespero e pânico de sofrer um assalto na próxima esquina.
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Eu, minha esposa e nossas duas filhas estávamos voltando ao carro, estacionado ao lado da barraca de vinhos, num passeio de domingo naquela cidade histórica.
Os sequestradores, à mão armada, nos levaram a um local ermo, em uma estrada próxima. Ali permanecemos, os quatro, sob a supervisão armada de um dos membros da quadrilha.
Os outros dois voltaram para a cidade com meu carro e os meus cartões, para sacar valores da minha conta bancária.
Por algum motivo, eles levaram a senha de um cartão trocado.
Nessa ida e vinda com o carro à cidade para fazer o saque, passou por nós — que aguardávamos na beira da estrada de terra— um ciclista, que ainda deu uma volta, encarando nosso carcereiro, que ocultava a arma.
Os dois que foram à cidade voltaram furiosos, sem conseguir fazer o saque. Imediatamente, eu expliquei o “engano” da troca de senhas. Novamente partiram para a cidade, mas, desta vez, cruzaram com a viatura da polícia, trocaram tiros e fugiram pela mata, deixando o veículo.
O nosso carcereiro foi preso.
O trauma de minhas filhas, de minha esposa — e eu, sustentando a postura de homem forte.
Para aqueles garotos iniciados na contravenção, “o crime não compensou”, pelo menos naquele dia.
Hoje, olho para todo o absurdo da minha postura mecanicista de proteger o patrimônio, sob um risco altíssimo de levar um tiro. O pequeno valor em espécie da carteira foi a única coisa que eu não recuperei. O talão de cheques (à época, ainda em uso) eu solicitei na delegacia, ao que o preso o devolveu.
O carro da empresa, que ficou com um furo de bala na troca de tiros com a polícia, foi reparado na oficina.
Na época, eu caminhava para o fim de minha carreira como executivo de multinacional. O ambiente na empresa era sinistro.
Foi a partir dessa demissão que passei a dispor de tempo para fazer cursos que me conduziram à realização e existência de Dhyan Deepak.
Contudo, olhar para minha atitude irresponsável enquanto pai de família, com minhas filhas e esposa, ainda traz à tona o meu absoluto espanto comigo mesmo. A exposição ao risco da troca de senhas não é racional, nem mesmo traz qualquer sensatez de um ponto de vista mais elevado. Ainda que os assaltantes fossem — e eram — pobres diabos, a exposição ao risco não se justifica.
É exatamente esse aspecto de total insensatez que revela o soldado, que, para ganhar tempo e aumentar a chance de os assaltantes serem presos, coloca em risco a si mesmo e à própria família.
A programação do soldado: se não dá para lutar, então manipule a situação para ganhar tempo. Sim, absolutamente burro!
A programação de marchar a qualquer custo. Não importa o quê, erga-se e lute contra o inimigo!
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“Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte!”
(do Hino Nacional Brasileiro.)
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“De pé!
Vós que quereis ser livres,
Nossos corpos e sangue serão nova muralha.
Um perigo fatal ameaça a China.
A cada um compete o dever de lutar.
De pé! De pé! De pé!
Todos em um coração,
Contra o fogo inimigo,
Marchai!
Contra o fogo inimigo,
Marchai! Marchai! Marchai! Já!”
(Tradução livre do Hino Nacional Chinês.)
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“Às armas, cidadãos,
Formai vossos batalhões!
Marchemos, marchemos,
Que o sangue impuro
Regue os sulcos de nossa terra.”
(Tradução livre de “La Marseillaise” – Hino Nacional Francês.)
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Para ir à guerra, é preciso fechar o coração. Porque, com o coração aberto, eu vou perceber o meu oponente no campo de batalha como uma extensão de mim mesmo. Eu não serei capaz de matá-lo.
Há relatos do front de batalha da Primeira Guerra Mundial, em que soldados oponentes e entrincheirados trocaram fotos de familiares com o inimigo — para, no dia seguinte, se confrontarem até a morte.
Vivemos um tempo mágico para abrir o coração do soldado dentro de cada um de nós.
Deixar a espada cair e viver a liberdade de ser.
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