Meus pais já moravam no sítio havia alguns anos. Quando meu pai se aposentou de sua criação, uma indústria metalúrgica especializada em produzir estufas e equipamentos para pintura a pó, ele fixou-se no sítio, nos seus últimos anos entre nós, juntamente com minha mãe.
Meus filhos conviveram muito com ele e minha mãe nessa época. Passavam fins de semana com os avós no sítio, enquanto eu dava vazão a algum projeto de produção na propriedade, como o de morangos, que serviu ao nosso próprio consumo, porém longe de ser algo comercial, e o de árvores de Natal, que plantei, mas, por descuido, os pinheirinhos se desenvolveram estiolados no meio do mato que cresceu junto. Para serem comerciais, os pinheirinhos teriam que ser podados e conduzidos, sem a competição do mato. Assim, sem destino comercial, essa área tornou-se um arvoredo que cobre um lindo sub-bosque, com palmitos semeados pelos esquilos, e que hoje abriga um círculo sagrado onde vim a realizar muitos Temascais (há um capítulo sobre o Temascal).
Ainda para as crianças, construí a casinha de bonecas e mais uma no topo de um poste, com direito a alçapão de entrada e escada de cordas para meu filho, já que ele fora excluído da casinha das meninas.
. . .
Lembro-me de uma tarde, chegando no sítio. Estacionei o carro na sombra da castanheira.
Logo acima, em direção à casa, estava meu pai.
Aproximando-me dele, abri os braços. Ele correspondeu. Nos abraçamos.
Esse foi, talvez, o último abraço que trocamos, antes de ele partir.
A bênção, meu pai.
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