Rompendo com a subserviência a um sistema que nos adoece e envelhece.

Joseph Rael, Beautiful Painted Arrow, é o nativo norte-americano que criou as danças pela paz. Nessa jornada heroica, Joseph ofereceu ao mundo os seus ensinamentos, as suas visões, os mistérios, enfim, tudo aquilo que é e era sagrado aos nativos norte-americanos.

Ele pagou o preço por isso, tendo sido banido de sua própria tribo, por ter ensinado os mistérios das suas tradições para o povo que invadiu suas terras.

Hoje, reconciliado com sua tribo, Joseph é honrado e reconhecido como alguém que criou pontes entre os povos para gerar cura, para gerar paz.

Numa visão de extraordinária beleza, Joseph viu os pequenos fragmentos de tabaco que, oferecidos em bênção e lançados sobre o tambor, dançavam conforme o tambor era tocado. Milhares de fragmentos dançando na vibração do tambor.

Joseph viu suas danças pela paz se espalharem pelo mundo. Ele viu o mundo dançando as danças da paz. Ele viu a paz sendo dançada pelo mundo afora.

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Enquanto sociedade, assim autorreferida como civilizada, nós carregamos uma série de comportamentos que limitam a própria expressão da liberdade humana. A liberdade de ser, a liberdade de expressar nossa própria magia no mundo. A liberdade de dançar, de celebrar a vida conforme ela acontece através de cada dia que vivemos neste plano físico.

Na nossa civilidade, na construção de nossas personalidades, nossas formas de ser e de nos expressarmos no mundo, acabamos por sobrecarregar nossos corpos com vícios comportamentais, os quais comprometem a nossa qualidade de vida, comprometem a nossa saúde e nos envelhecem.

Nossos corpos, físico, mental e emocional, foram engessados conforme uma autoridade externa nos fez acreditar em como devemos ser e nos comportar.

Entre aparentes milhões de escolhas oferecidas pelos meios de comunicação disponíveis, fomos treinados a consumir a informação que paga mais para ser divulgada. O produto anunciado por autoridades externas, que valorizam os benefícios de uma agenda oculta de interesses econômicos, interesses de dominação e controle.

Mais ainda, nossa civilização nos atolou em toxinas físicas, no ar, nas águas, em alimentos ultraprocessados e toxinas mentais. Somos bombardeados com informação que banaliza a violência, banaliza a miséria, banaliza o sofrimento.

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Foram muitas as danças de Joseph que dancei e ainda danço.

Invariavelmente, essas danças trouxeram para minha vida a manifestação da mudança. 

A dança, para mim, sempre foi um recurso para disparar uma reorientação da minha própria vida, sustentando novas rotas e novas experiências.

Simplesmente ir dançar gerou e gera um espaço de profundo relaxamento, o que trouxe para mim, sempre, discernimento. Uma clara percepção dos caminhos que se abrem diante de mim.

A dança carrega a energia da criança. O aspecto lúdico da dança, como a criança brincando de roda, remete à simplicidade para o meu alinhamento com o fluxo da vida.

A liberdade de apenas ser, de relaxar como uma folha que se desprende da árvore mãe e se entrega às águas de um rio para, no tempo certo, vivenciar a experiência oceânica.

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Nestes tempos em que escrevo estas palavras, tenho participado das Drum Dance, que são amorosamente chefiadas por minha companheira, Madha. 

Ela construiu um espaço especificamente para as danças, dentro do Recanto Ecológico Alvorada. 

Nesse espaço sagrado, eu me dedico ao tambor. 

Enquanto tamborista, eu entro no fluxo cantando as músicas sagradas que, através do tambor, sustentam e dão ritmo à própria dança.

Minha criança interior adora. 

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A dança do tambor gera um enorme potencial de cura. Traz, na sua construção, nos seus alinhamentos e na determinação do dançarino, a ruptura de padrões autolimitantes, engessamentos mentais de como as coisas devem ser.

O dançarino vai experienciar um retiro de três dias em abstenção de todo o ruído do mundo. 

Assim, enquanto dançarinos, nos abstemos da ingestão de alimento físico e água. E, a partir de um processo preparatório em alinhamento com a jornada sagrada, podemos deixar ir padrões que intoxicam nossos corpos mentais, emocionais e físicos.

A experiência é natural e envolta em simplicidade, onde basta estar dançando ou estar deitado. 

Na dança, você experiencia a ativação, o movimento. 

Ao deitar, você se entrega para receber as dádivas, as visões e o resgate de uma forma de ser muito mais natural, simples e em harmonia com o mundo ao seu redor.

O conflito, a competição, a luta pela sobrevivência cessam. 

Ao relaxar nos braços da mãe Terra, você vai nutrir os seus corpos com a luz do pai Sol, com a luz das Estrelas, da Lua e com a energia da grande Mãe. Esta mesma mãe, que emprestou e empresta os seus elementos, a própria substância do planeta, para você construir o seu corpo físico e dançar em celebração pela vida, pela paz e pela sua jornada enquanto ser humano.

Você vai dançar pelas sete gerações que o precederam e pelas sete gerações que vão seguir adiante, inspiradas pela sua jornada, pela sua dança..

Honrando os ancestrais, você suaviza a sua jornada nesta vida, neste plano físico e semeia um terreno fértil para as gerações que vêm pela frente.

Permita, conscientemente, dançar pela vida afora. Escolha soltar as danças que vêm de fora e abra-se para dançar a sua dança, a sua manifestação de criatividade, a sua manifestação de alegria e celebração da vida, que vêm de dentro, da sua Alma.

Amorosamente, você escolhe dançar a dança da vida em amor e compaixão pela sua própria jornada. 

Honrando aqueles que vieram antes, para que você possa estar aqui agora. 

Suavizando a sua jornada e a daqueles que ainda vão percorrer os caminhos da vida.

Ahow Joseph.