Existem programações mentais, talvez inumeráveis, criadas, estabelecidas e operacionais na psique humana para selecionar o que quero e o que não quero sentir.
Cada ser humano constrói um relacionamento pessoal com esses programas.
De forma simplista, eu quero e gosto de sentir determinados prazeres, ao mesmo tempo em que rejeito determinadas emoções.
Esse mecanismo fica bastante evidente quando observamos pessoas que têm por ambição apenas satisfazer impulsos emocionais básicos, como sexo e comida, ou pessoas viciadas em adrenalina, escalando montanhas, ou viciadas em endorfinas, por meio de práticas esportivas, por exemplo, assim como aquelas viciadas em jogos virtuais.
E ainda mais: impulsos para a intelectualização também carregam esse mecanismo seletivo. Muitos alcançam enorme satisfação numa vida intelectual.
Assim, eu me dedico apenas ao que me dá satisfação e não olho para o corpo, que declina em saúde e vitalidade.
Abro um parêntese para esclarecer que não estou julgando ou condenando a intelectualidade, pois a estou usando para gerar este texto. Nada contra atividades físicas, esportes etc., pois também sou praticante. Tampouco estou aqui para julgar a alimentação e o sexo, pois são aspectos inerentes à vida humana.
Os jogos online, por sua vez… é, eles são altamente viciantes.
Porém, cabe a cada um determinar o que é excesso e vício — o que vou discutir em outro texto.
Seja qual for o fator em excesso, no curto, médio ou longo prazo, o corpo físico vai acusar o desequilíbrio. E esse desequilíbrio vai se manifestar na forma de doença, envelhecimento ou qualquer disfunção.
Eventualmente, vou sentir essa manifestação ou vê-la refletida no espelho. E, eventualmente, vou rejeitar o que sinto ou o que vejo no espelho.
Assim, vou mergulhando mais e mais nos meus vícios. Ao fazê-lo, isso me afasta ainda mais do meu próprio corpo físico.
Permaneço no corpo mental, dedicando-me ao que gosto de experienciar, de sentir. Uso o corpo físico sem respeitar os seus limites ou apenas tratando dele de forma mecanicista, remediando os sintomas para focar somente naquilo que gosto. O que pode incluir atividades físicas que exigem desempenho, como práticas esportivas, sexo etc.
Eu uso o corpo físico, mas a atenção não está nele — está fora dele: no corpo mental, na intelectualidade, na pessoa que quero seduzir, nas pessoas que estão vendo meus vídeos, nos jogos de que participo na vida ou virtualmente.
Não estou desdenhando da intelectualidade, das práticas desportivas, nem da visita ou criação de conteúdo digital.
A questão é como nos relacionamos com tudo isso.
Portanto: respire!
A ausência da presença no corpo físico faz esse corpo definhar.
É a sua presença no seu corpo que dá vida ao corpo!
Não vamos nos iludir: eu e você carregamos essas demandas viciosas, expressões do corpo mental, da mente do ego, conforme construímos nossa jornada de experiências humanas.
Não há certo ou errado. O que existe são as escolhas que fazemos a cada momento e que sempre têm consequências.
Apenas observe o que você sente e solte qualquer autojulgamento.
Sim, eu sei: às vezes, ou muitas vezes, ou quase sempre, é desafiador. Porém, basta um momento de consciência para começar a sair dessa ratoeira mental.
Respire, pois talvez seja agora.
. . .
As energias densas são geradas através das experiências de vida. Ao rejeitar qualquer aspecto de uma experiência, através dos programas mentais ativos que tenho, esses vão disparar mecanismos de supressão daquilo que não quero ver ou sentir.
Essa é a programação do soldado.
Tudo acontece de forma automática, e eu não percebo como isso acontece, pois estou habituado ou viciado nesses procedimentos, buscando o controle mental das minhas reações emocionais.
Não enxergo como nem por que isso acontece. São mecanismos de sobrevivência, e eu me identifico com esses mecanismos. Não consigo viver sem eles, pois sinto que não vou sobreviver sem eles.
Não sem motivo, quando algum desses programas é deletado, a sensação é de vazio. Existe um bem-estar decorrente, mas eu sinto falta de algo, há um vazio. Parece que perdi algo, e a mente do ego fica muito assustada, pois vem a sensação de perda de controle — a sensação de: “não sei o que está acontecendo”, “vou morrer”.
Respire, pois isso é um claro indicativo da transição da inconsciência para a consciência.
E sim, se eu rejeito a mudança, se eu rejeito o que estou sentindo, a mudança não se estabelece, não é integrada.
A não integração da mudança me conduz a vivenciar a repetição do processo até aprender, ou seja, até integrar a mudança.
Contudo, conforme eu integro a mudança, a sensação de vazio passa a ser ocupada pelo bem-estar.
De fato, o bem-estar é o próprio vazio!
Talvez você possa achar muito estranho sentir-se bem!
Não é normal sentir-se bem!
Não é correto sentir-se bem!
Há que dar tempo para integrar a mudança, quando então o estado de sentir-se bem expande sua presença na vida.
Há muitos níveis dessas programações, mas já é possível liberar uma escala muito ampla desses padrões que nos adoecem e envelhecem.
Contudo, a grande virada demanda uma mudança importante e profunda na psique humana: passar a enxergar o aspecto benevolente da vida!
Pode parecer ingênuo, esse conceito. Mas não é. Trata-se da pedra angular para a redenção da humanidade.
As programações de sobrevivência estão todas atreladas à escuridão — portanto, à ausência da luz.
Todos os sistemas de comunicação — interpessoais, redes sociais, mídias de todos os tipos — estão focados na sombra, em sua imensa maioria. Notícia que dá audiência é notícia que fala daquilo que deu errado, daquilo que traz sofrimento, polaridade.
Ainda hoje, a imensa maioria das pessoas está presa ao circo romano, onde gladiadores lutavam até a morte, em que pessoas eram entregues para serem devoradas por feras.
Assim, o medo é alimentado e retroalimentado sistematicamente pelas mídias sociais, canais televisivos e por nós mesmos, nas nossas relações interpessoais.
Esse sistema mantém os programas de sobrevivência ativos na audiência.
Enxergar que, apesar de quaisquer dificuldades que você possa ter tido, todo o conjunto da sua experiência de vida trouxe você até aqui, para ler ou ouvir estas palavras, permitindo que você se posicione de forma diferente em relação à sua própria vida.
Ao acender uma pequena vela no seu porão, tudo se ilumina. A dor, o horror e o sofrimento são dissipados pela luz.
Mudar o seu foco das muitas mortes ao final das muitas vidas vividas, para a alegria do encontro. Para celebrar cada dia vivido, cada dia de aprendizado. Cada nascer do sol. Cada céu estrelado. Cada grão colhido. Cada abraço dado e recebido. Cada paixão vivida.
Olhar para as suas experiências vividas, sem julgá-las, é uma decisão pessoal a ser tomada a cada dia e a cada momento da sua vida.
As energias de baixa frequência deixam de ser alimentadas e sustentadas por você, na sua vida e ao seu redor. Elas deixam de desequilibrar e drenar o seu campo energético.
Significa deixar de criar um evento impactante em sua vida — como um acidente, uma doença, um assalto — para que você se mova, para que você mude.
Sim, custa caro para o ser humano sustentar energias de frequências baixas em seu campo energético: perda de vitalidade, perda de energia, doença e envelhecimento, trancos e barrancos.
Das Escrituras Sagradas: “Orai e vigiai”.
De forma geral, fomos treinados para projetar essa frase para fora. Orai pelos outros e vigiai os outros, que são perigosos.
Talvez você possa internalizar essa expressão da seguinte forma: ore por você e olhe para você.
Medite e observe o que você pensa e sente.
Em outras palavras: volte-se para você.
Se você tem o hábito de orar, ore por você, para você.
Se tem o hábito de caminhar, caminhe com você, respirando e testemunhando você.
Caso tenha o hábito de meditar, você já busca isto: estar na sua presença.
Portanto, é observar quando você está julgando e condenando alguém ou a si mesmo.
Observar os seus pensamentos.
Você não é os seus pensamentos.
Se você parar de pensar, você continua vivo — na verdade, muito mais vivo. A existência se abre para você.
Porém, o passo decisivo é escolher que existe propósito em tudo. Que existe propósito na sua jornada nesta vida.
Que cada tropeço é uma oportunidade de aprendizado, de redenção.
Tenha claro que você não vai fazer isso perfeitamente e, de fato, não precisa.
Um passo de cada vez. Um dia de cada vez.
Passo a passo.
Que assim seja.
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