Imagine que você escolheu fazer uma viagem interestelar, ou mesmo intergaláctica.
Então, você chega num planeta magnífico, com formas de vida trazidas de diferentes partes da galáxia. Ecossistemas complexos em variabilidade e com enorme estratificação nas interações entre as espécies.
Um planeta de incrível beleza, em suas mais diversas paisagens.
Você chegou a Gaia, ou, como a maioria por aqui o chama, planeta Terra.
Abra-se para a possibilidade de que você escolheu e fez esta viagem.
Vindo das estrelas, para aterrissar neste planeta, você “caiu” de dimensões superiores e, nesse processo, perdeu a conexão com o que a psicologia chama de Eu superior.
Essa experiência, por si só, é dilacerante. Você perdeu a conexão com a fonte criadora. Você perdeu a conexão com o divino.
A figura mítica do “anjo caído” é, de fato, vivenciada por cada um que escolhe a experiência na dualidade. E é, por si só, o evento mais impactante dessa aventura.
Há relatos da escola de Sanat Kumara para preparar cada ser estelar — eu e você — para mergulhar na dualidade.
Pois, quando perdemos a conexão com o Eu superior, nós perdemos a conexão com nossos aspectos divinos. Passamos a nos perceber separados de quem de fato somos.
Ao mergulharmos na dualidade, perdemos a conexão com a fonte do amor de tudo o que é. Perdemos a conexão com a divindade que realmente somos.
Para sobreviver nesse meio dual, criamos uma ferramenta substituta ao Eu superior, chamada de ego, ou mente do ego.
O processo acontece por meio de um mergulho no esquecimento. Basicamente, esquecemos quem somos. Ao esquecer quem somos, perdemos a conexão com o divino, que é nossa essência.
Nesse processo de esquecimento, perdemos a conexão com o amor da fonte de tudo o que é.
O que chamamos de amor é a energia que tudo cria e tudo criou.
O que chamamos de medo é a ausência do amor. O medo preenche o espaço deixado vazio quando perdemos o alinhamento com o Eu superior, nossa fonte de amor.
A mente do ego é a ferramenta tridimensional que construímos e sustentamos para substituir o Eu superior.
Portanto, o ego é construído a partir do medo.
É um instrumento para podermos sobreviver neste plano físico.
De fato, nossa existência aqui só é possível por meio da mente do ego. O ego é uma construção no corpo mental, que vai sendo ancorado, expandido, refinado, conforme vamos tendo nossas experiências de vida.
Logo no nascimento, ainda trazemos uma conexão maior com nossa forma e fonte de origem. Em muitos casos, vibrando fortemente, ainda, nas frequências de origem. E, conforme vamos nos estabilizando neste plano dual, a ligação com nossa origem vai se dissipando, permanecendo o alinhamento com as frequências densas deste plano físico.
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A mente do ego trabalha diretamente com o corpo emocional, sendo alimentada e retroalimentada por ele. Alimentando e retroalimentando o corpo emocional igualmente.
O tempo todo, a mente do ego está comparando tudo o que acontece, tudo o que está ao seu redor, com tudo o que já aconteceu. É um processador permanente, interminável e incansável. Não sem motivo, o cérebro, onde a mente do ego opera, é o órgão que mais consome energia no corpo humano.
O tempo todo comparando e, em maior ou menor grau, a mente do ego faz isso de forma obsessiva.
É uma ferramenta de sobrevivência; portanto, ela fica procurando o tempo todo pelo perigo, comparando com experiências passadas tudo o que está acontecendo agora.
A mente do ego quer segurança, quer estabilidade, tudo igual. Quer fazer as mesmas coisas sempre: repetitiva e compulsivamente.
Ferramenta necessária, você precisa dela. Você constrói programações para ela, para a sua funcionalidade neste mundo.
A sua personalidade é criada e sustentada por meio da mente do ego. O seu jeito de ser, as suas preferências, as suas recusas, os seus comportamentos — um conjunto de instrumentos para navegar neste mundo.
Você criou programas para aprender a comer com garfo, faca e colher, por exemplo. Hoje, você nem pensa em como segurar o garfo, a faca ou a colher; você simplesmente ativa um programa mental para fazer esses procedimentos enquanto você conversa com outras pessoas.
Você está comendo e conversando com uma pessoa ao mesmo tempo. Porém, você delega a função de comer para um programa que você criou. Assim, pode conversar tranquilamente, sem se preocupar em cortar o alimento, espetá-lo com o garfo, colocá-lo dentro da boca, mastigá-lo e engoli-lo. Você faz tudo automaticamente, enquanto conversa com outra pessoa.
É muito comum ver pessoas, num restaurante, se alimentando ao mesmo tempo que olham as redes sociais. Ao final da refeição, elas praticamente não sabem o que comeram. Não prestaram atenção, não viram, não sentiram o sabor do alimento. Tudo no piloto automático. Cumpriram o ritual da refeição; portanto, satisfizeram a demanda do programa da necessidade de se alimentar naquele horário programado, sem focar a atenção no que comeram.
A mente do ego nos possibilitou realizar muitas tarefas sem que, necessariamente, precisássemos estar pensando nelas.
Um motorista mais experiente nem presta atenção na troca de marchas na condução do carro. Tudo acontece de forma automática, inclusive de forma bastante eficiente, porque o programa é efetivo.
A mente do ego constitui um enorme conjunto de programas para que possamos desempenhar nossas funções no mundo.
Assim, podemos perceber as vantagens e a importância da mente do ego em nossas vidas, porque, de fato, não é possível viver sem ela neste plano físico.
A questão nevrálgica, contudo, é:
Você não é a sua mente do ego!
O computador que estou usando para escrever este texto é uma ferramenta que uso e que possibilita construir e armazenar o texto.
Da mesma forma, a sua mente do ego é um complexo operacional, um conjunto de programas que operam no seu cérebro, o seu processador e armazém de informações.
Você é o usuário dessa ferramenta, mas você não é ela, assim como você usa um computador ou smartphone, mas você, obviamente, não é o aparelho.
Ocorre que, enquanto o seu computador está fora do seu corpo, a mente do ego está dentro, usando o processador biológico que chamamos de cérebro, o que gera enorme identificação com aquilo que você chama de “eu” aí dentro de você.
Vamos expandir mais esse conceito.
A sua personalidade, você criou para sobreviver!
É como você se expressa no mundo. O seu jeito de ser. Tudo isso você vem construindo ao longo dos anos, treinando e ajustando esses programas comportamentais para serem mais eficientes para você fazer e alcançar o que escolhe em cada momento.
Por exemplo, uma criança sofre bullying de seus colegas na escola. Qual a resposta comportamental dela a essa situação? Observe, dentro de você, qual o impacto das interações mentais com as emoções envolvidas nessa situação: medo, vergonha, sensação de rejeição, dor, tristeza, humilhação, raiva etc.
Perceba a intensidade emocional de apenas um momento como esse, na sua vida, em situações que, eventualmente, se repetiram mais e mais vezes.
Agora, multiplique isso por milhares de momentos na vida de qualquer pessoa. abusos, agressões, abandonos, discussões, competição, miséria, guerras, coerções, manipulações etc.
Multiplique tudo isso ainda por várias vidas, em situações que se repetiram muitas vezes: marchando, enquanto soldado, invadindo o vilarejo, matando e abusando das pessoas. Ou como morador do vilarejo, sofrendo a invasão do soldado, que mata, rouba e abusa.
Observe a polarização entre vítima e agressor — ora deprimido, ora na raiva — dentro de você e de cada ser humano neste plano físico.
Observe a complexidade da sua relação mental e emocional com todas essas, e muitas outras, experiências vividas.
Nesta intensa e vasta complexidade, a sua interação com a mente do ego, ao longo de todos os seus dias de vida — e em muitas vidas — gerou uma forte identificação entre você e essa ferramenta de sobrevivência.
Eu e você desenvolvemos uma estreita relação com aquilo que chamamos de “eu” dentro de nós.
Aprendemos, por meio de muito sofrimento, a nos apegar à nossa mente do ego, porque desenvolvemos uma crença recalcitrante, forjada no medo, de que apenas por meio de nossos egos é que podemos sobreviver.
Observe, perceba, sinta como tudo isso é tão somente lastreado pelo medo.
Medo de morrer.
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Este é o tempo de soltar a subordinação à mente do ego, ao medo.
Alinhar-se, assim, à sua consciência, ao seu coração.
Saiba que você não vai se tornar fraco, ingênuo ou tolo ao abrir o seu coração. Ao contrário: você está tomando posse da sua vida. Você está tomando posse do seu poder pessoal!
Você está lendo ou ouvindo estas palavras; você já está fazendo isso.
A consciência é sábia.
A sabedoria não é intelectual.
A sabedoria é existencial.
Você é sua consciência, você é existencial.
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