A mente do ego é uma ferramenta construída ao longo de toda a sua existência para você poder sobreviver, para você ter funcionalidade neste mundo, para você poder operar a partir do seu corpo físico a sua existência neste plano.
A mente do ego construiu e constrói mecanismos para poder sobreviver dentro de um ambiente extremamente estressante em que vivemos ou em que já tenhamos vivido no passado, ao longo de várias vidas.
Existem diversos mecanismos que, de alguma forma, você criou para poder estar no mundo e seletivamente sentir algumas emoções que você prefere sentir, como saciedade, alegria, várias formas de ter prazer no mundo, e, ao mesmo tempo, seletivamente, não sentir determinadas emoções que você não quer sentir, que você rejeita.
Abra-se para a percepção de que muitas coisas que você sentiu, muitas coisas que você experienciou, foram rejeitadas por você mesmo. Ao rejeitá-las, elas foram trancadas em algum lugar dentro de você, para você não olhar, para você não sentir, num processo de fuga da própria experiência que você vivenciou.
É importante abster-se de qualquer julgamento, pois o julgamento apenas remete de volta para a mente do ego, que vai lutar bravamente para justificar qualquer atitude, sempre dentro da seletividade mental: o que quero sentir versus o que não quero sentir. O que existiu, e ainda existe, é a fuga de olhar para algo que possa ser desconfortável e doloroso.
Apenas observar o que é, olhar para energias que você trancou lá atrás, algo que você trancou em alguma parte do seu corpo. E, ainda que você não saiba o que você trancou, ainda que você não saiba onde você trancou quaisquer dessas energias, apenas abra-se para a possibilidade de liberar essas densidades.
Tudo aquilo que fica trancado no corpo, toda a energia que você eventualmente trancou no seu corpo, com medo de sofrer, gerou e gera impacto no seu próprio corpo.
Lembre-se sempre: a mente mente, o corpo nunca mente.
O corpo é honesto com aquilo que está armazenado dentro dele.
O corpo revela o que está armazenado dentro dele, na forma de doença e envelhecimento. Aqui, entendemos o envelhecimento como uma doença igualmente.
Você vivencia uma grande tristeza, uma perda, e não quer sentir essa dor. Toma um calmante, uma boa dose de álcool, fuma alguma coisa para relaxar, para não olhar o que está presente no corpo: a dor de uma perda. A fuga do sentir prende, imobiliza essa energia em alguma parte do corpo. Quanto menos mexer nisso, tanto menor o sofrimento.
De outra forma, você procura um amigo, uma amiga, e conta a história, chora no ombro dessa pessoa querida. Nesse processo, existe a liberação da energia que está presa. As lágrimas lavam a dor da perda do emprego, de um ente querido, de um relacionamento que se encerra. A dor é dissipada com a honestidade de sentir o que está aí para ser sentido.
De outra forma ainda, você toma um tempo para si mesmo. Olha para a dor, permite a emoção, ainda que ela venha na forma de lágrimas. Respira conscientemente e, a cada expiração consciente, a densidade emocional vai se soltando, vai sendo liberada.
A liberação demanda presença. A consciência presente no corpo, conscientemente presente no corpo.
Saiba que aquilo que fica oculto, aquilo que foi trancado no corpo, vai se manifestar. Isso não é uma possibilidade, mas uma certeza!
A energia quer e vai se manifestar! Você escolheu e, de alguma forma, criou sofrimento na sua vida. De alguma forma, escolheu estar numa experiência que gerou sofrimento. Um sofrimento que você não quer ver.
É o prender da densidade no corpo que gera envelhecimento e adoecimento do próprio corpo.
Testemunhar o que o seu corpo sente é um ato de poder, é um ato de cura, de autocura!
Testemunhar o que você sente é ser honesto com você mesmo. E isso é poderoso!
Fomos treinados a ser seletivos. Demonstrar emoções é ser percebido como fraco pelos outros. Demonstrar aquilo que eu sinto para mim mesmo é me perceber fraco. É desafiador romper esse padrão que nos foi ensinado como uma forma de sobrevivência no mundo. Para ser forte, para ser percebido como forte, eu não posso demonstrar o que estou sentindo.
Assim, eu fui treinado dentro do conceito de que homem não chora. Fui duro comigo mesmo durante muitos anos. Fechei o coração para não sentir. Fechei o coração para lutar as batalhas de cada dia. As batalhas pela sobrevivência.
O contraponto é resgatar aquilo que “Eu Sou”. Para resgatar aquilo que eu sou, eu preciso do meu corpo físico. Um corpo que sente, um corpo sensorial.
Significa um salto no escuro das sensações, das emoções que foram ocultadas por mim mesmo. Eis um ato de coragem: saltar no escuro das emoções presas no corpo.
Eu não sei o que está oculto dentro do veículo físico, dentro deste invólucro físico que é meu corpo.
O corpo físico é meu para ser usado conforme eu escolher, a cada momento.
Usar o corpo de forma mecânica, de forma mecanicista, onde, inconscientemente, eu uso o corpo até ele acabar, até ele se desgastar, até ele não ter mais funcionalidade, e aí eu jogo esse corpo fora, para começar um novo ciclo, num novo corpo, num novo momento, em algum outro lugar.
Vivemos o tempo abençoado de podermos escolher, aqui e agora, tomar posse do nosso poder pessoal. O poder de construir a realidade a partir da consciência.
A consciência cria, você cria. A criação é inerente à consciência. O tempo todo, você cria conforme onde você levar a sua atenção.
O convite é você trazer a sua atenção para o próprio corpo, talvez em momentos e, por que não, o tempo todo.
Perceba o poder que existe em estar presente no seu corpo físico, através de uma respiração consciente.
Esse estado de presença é natural, em que você apenas está presente no momento. Você respira fundo e retorna, vem sempre de volta para a presença no seu corpo.
É um exercício: a cada momento, apenas testemunhar a sua presença no seu corpo.
Sim, o corpo físico é a ferramenta ascensional. A importância de ascensionar conscientemente, através de um corpo físico, tem enorme poder.
Ascensionar através de um corpo físico gera gigantesca expansão de consciência.
É a maior aventura que um ser humano pode vivenciar nestes tempos.
Eu e você estamos vivendo essa aventura.
Portanto, cuidar do corpo físico é essencial. Zelar pela integridade do corpo físico é poderoso e possibilita estender o tempo de vida, nesta vida.
Não importa em que condições de uso esteja o seu corpo hoje, não importa quantos anos de uso tenha o seu corpo físico. Você pode escolher agora, a cada agora, ancorar a sua consciência através do corpo. Respirar fundo e, naturalmente, ir liberando densidades pendentes, prontas para serem dissipadas.
É trabalho: trazer a sua atenção de volta para você.
Eu e você fomos treinados para levar a atenção para fora. Treine-se para trazer a sua atenção de volta para você.
Este é o tempo de resgatar nossa preciosa atenção e trazer ela de volta para um instrumento de expressão neste mundo: nossos corpos físicos.
Que assim seja.
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