De todos os ensinamentos ancestrais, reportados em escrituras sagradas, talvez o trazido no título deste texto, seja um dos mais desafiadores nestes tempos de transição.
Esta figura dada num ensinamento de origem bíblica, aponta para um grande impacto à psiquê humana.
A figura óbvia é: alguém me agride e eu ofereço a outra face.
Lembro de um conto, suponho de origem árabe, onde uma pessoa recebe em sua casa um viajante desconhecido. Antes de ir embora o viajante toma para si objetos de valor da casa. O anfitrião percebendo a subtração de seus bens, ao se despedir do viajante, entrega a ele mais alguns de seus candelabros.
Perceba a entrega da outra face.
O anfitrião foi generoso, deu abrigo e alimento.
O viajante recebeu acolhimento e um lugar para descansar. Tomou, sem autorização, o que não era seu e recebeu ainda mais.
Muito, muito além do abrigo, alimento e objetos tomados e recebidos, o viajante recebeu um ensinamento, que potencialmente poderia mudar a sua vida.
O anfitrião enxergou a limitação de caráter do hóspede. Ele não o condenou. Ele o ensinou, oferecendo a outra face.
Talvez, o viajante, antes de sair, tivesse a coragem ou não, de olhar nos olhos do anfitrião e agradecer aquela pessoa que enxergou sua forma de existir subordinada ao medo da escassez, mostrando-lhe um caminho diferente.
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Perceba o mesmo padrão acima em sua vida.
Você trabalha, alguém se aproxima e lhe toma o fruto do trabalho.
Desde um governo que cobra impostos leoninos sem reversão de benefícios até alguém que lhe toma algo sem cerimônia. Ainda mais se este alguém for um ente querido.
Quantas disputas, até mesmo nas delegacias e salas de ajuizamento.
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Vamos mais fundo.
Imagine que você tenha um relacionamento com outra pessoa, de qualquer ordem. Afetivo, uma parceria de negócios, amizade, família, colega de trabalho etc.
Esta pessoa trai você!
Passa a perna nos negócios; alardeia alguma verdade a seu respeito para todos ao seu redor; é flagrada em outra experiência afetiva; torra o dinheiro dos pais, que estava sob sua guarda etc.
E aí?
Vai resolver como?
Na conversa?
Na delegacia?
No tribunal?
No tapa?
No coração?
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Não estamos descartando nem julgando quaisquer das escolhas.
Eventualmente, uma situação vai precisar da delegacia.
Eventualmente, a intermediação jurídica vai precisar ser acionada para gerar uma solução mais ou menos justa.
Porém, a cura vai acontecer apenas e tão somente quando você conseguir levar o que quer que seja, veja bem, o que quer que seja para o seu coração.
Tenha clareza, a cura só pode acontecer em você.
A eventual cura do outro ao outro pertence.
É você escolhendo curar você.
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Abra-se para a possibilidade de vir para um ponto de vista mais elevado, o mesmo do anfitrião do conto acima.
Qualquer experiência neste plano físico é exatamente isso: uma experiência.
E sim, há experiências que eu prefiro ter e outras que realmente não prefiro.
Não estou minimizando qualquer agressão, física, emocional ou mental.
Houve a agressão! Ela foi real.
A ação decorrente para punir ou não o agressor, não necessariamente vai resolver a questão dentro de você.
Pois, se qualquer agressão sofrida, ainda te incomoda, é porque a ferida ainda não foi curada.
Como um fantasma, ela assombra, mantendo você preso a um evento que pode ter acontecido há muitos anos e, inclusive, em vidas passadas.
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Leia com atenção.
Um passo decisivo é sair do julgamento e da condenação.
De fato, é sair do autojulgamento, da autocondenação:
Eu sofri a agressão:
Então eu me julgo ser uma vítima!
E ao fazê-lo, eu me condeno a continuar a ser vítima!
Perceba, ninguém é vítima!
Eu e você tivemos experiências enquanto vítimas.
Porém, a experiência não define quem você é!
Ao perceber-se enquanto vítima – eis o julgamento;
Ao se identificar com a vitimização – eis a condenação.
A experiência da agressão aconteceu, cabe a você escolher perpetuar ou não, esta experiência na sua vida.
A amarra é mental/emocional. E é exatamente isso: uma amarra.
Se você não consegue olhar para a situação vivenciada como vítima, é porque você ainda está na vítima.
Se a situação ainda te incomoda, é porque ainda há energia residual do trauma, da amarração.
Ou seja, você ainda está preso ao trauma e/ou à pessoa que o causou.
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O mundo é um espelho daquilo que existe em você.
Se você sente incômodo com alguma coisa vivida no passado, existe o potencial desta energia, ainda presa, continuar a assombrar a sua vida e eventualmente vir a materializar-se.
Respire.
O que ajuda:
Sair da reatividade – “de fazer um barraco”, ter uma crise emocional – diante de uma situação ou revelação impactante;
Para uma postura de introspecção – olhar para dentro – o que estou sentindo/ o que meu corpo está falando ou mesmo gritando?
E então, respirar.
Esta postura introspectiva de processar o que está dentro tem por consequência a liberação de emoções enterradas no porão:
É quando você oferece a outra face.
Respire.
Você sente a raiva.
Você sente a indignação.
Você sente o desapontamento.
Você sente a tristeza.
Você sente a dor.
Você sente o medo.
E você respira.
Não há submissão ao trauma ou ao agressor, mas o contrário:
Apenas olhar para o trauma ou para o agressor.
Sim, você pode socar um travesseiro e soltar gritos de raiva dentro do carro, ao voltar para casa.
Gritar é respirar.
Bater no travesseiro ajuda a soltar a frustração.
É possível e, até mesmo provável, que você precise de ajuda.
Não hesite em buscá-la.
PARTE 2 . . .
A maturidade.
A maturidade não é engolir o que você sente, para não demonstrar suas emoções.
Maturidade não é esconder o que sente de você mesmo.
E talvez, você tenha feito isso por muito tempo na sua vida.
Maturidade, é olhar o que está diante de você.
Maturidade, é permitir-se o tempo necessário para processar o que quer que seja antes de se manifestar para os outros.
Maturidade, é dar-se o tempo que for preciso – dias, meses, anos – para descascar a cebola.
Maturidade, é escolher a partir do coração, do seu centro.
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Olhar nos olhos da pessoa que criou intriga a seu respeito, no escritório ou na família, ao mesmo tempo em que observa o que você sente e respirar.
Olhar nos olhos da pessoa que não cumpriu o acordado e respirar.
Como seria olhar nos olhos de uma pessoa que possa ter abusado de você?
Você não precisa estar na presença destas pessoas.
Você pode fazer tudo isso, a partir de um ambiente seguro, de olhos fechados.
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É muito além de tão somente decidir se você vai querer continuar a conviver com esta pessoa ou não.
Você vai eventualmente ter que encarar uma conversa difícil e expressar o que você quer e não quer.
Perceber manipulações e disputas ligadas à escassez, medo, raiva e ódio nestas conversas.
O emprego que você não pode abrir mão, a dependência financeira de um cônjuge.
Abusos sofridos das mais diferentes ordens etc.
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O que você está olhando neste texto, é a possibilidade de mudar a sua percepção da realidade, criada dentro de você e espelhada ao seu redor.
A maturidade mencionada acima não diz respeito à idade biológica do corpo físico, o que é uma ilusão. Há muita criança que demonstra muito mais maturidade que os pais.
A maturidade é a escolha de deixar o papel de vítima/ algoz do velho jogo de dominação e controle, que ainda permeia as relações humanas mundo afora.
É você escolhendo ser você!
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Vamos expandir esta percepção, ainda mais.
Nestes tempos de transição, estamos testemunhando e vamos ainda testemunhar revelações dantescas.
Por exemplo, revelações sombrias de supressão de tecnologias para a manutenção de sistemas econômicos de dominação, perpetuando, matrizes energéticas baseadas em uso de combustíveis fósseis.
Estruturas organizacionais nas áreas farmacêuticas que, de fato, estavam longe de servir à saúde pública.
Tecnologias para a saúde suprimidas, que usam câmaras de ressonância para a cura, harmonização do corpo físico e rejuvenescimento. Equipamentos de baixo custo e livres de substâncias químicas.
Sinta como é fácil entrar no drama, julgamento e condenação daqueles que perpetraram estes sistemas de controle, que impediram ou retardaram o acesso a fontes de energia limpas e tecnologias baratas de cura.
Sinta como é fácil atirar pedras dentro de uma energia velha, o que, de fato, apenas joga mais lenha na fogueira.
Perceba que entrar no drama é a lenha que faz crescer a fogueira, é a tua energia, é o teu poder pessoal sendo concedido, dado a uma realidade construída para colher a sua raiva, medo e indignação.
Sim, um velho sistema de dominação, que ainda impera, de extração e colheita de emoções densas: da tua energia de criação!
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Na transição planetária que vivemos, o convite é silenciar, acalmar os ânimos internos, e apenas ser quem você é.
Saiba que nem eu e nem você, vamos fazer nada de forma perfeita.
Você vai se irritar com alguém que possa ter tido um comportamento inadequado e desrespeitoso.
Vai se assombrar com uma notícia disruptiva e eventualmente atirar pedras ou se encolher de medo.
Porém, em dado momento, você lembra de respirar.
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A lição de casa, a ser exercitada a cada dia, é olhar para as mazelas internas e respirar.
Se a realidade ao meu redor é um reflexo do que vibro dentro, então o circo romano com todo o fascínio com o sofrimento alheio e o sadomasoquismo, continuam a ecoar dentro de mim.
Conforme eu escolho acolher minha humanidade em quietude e compaixão, o meu poder pessoal que entreguei inconscientemente em meio à raiva e desespero por muitas vezes, permanece agora em minhas mãos.
Ao escolher olhar para as mazelas do mundo – que ainda insiste em atiçar a fogueira do medo e da indignação – com compaixão, então eu estarei deixando de ofertar meu discernimento, meu poder pessoal ao pedido insistente do noticiário dantesco.
Quem ainda se alimenta desta fogueira de caos, medo e luta vai ver o aporte energético minguar rapidamente.
Saiba que, aquilo que chamamos de mal e de sombra, é tão somente a ausência da Luz.
Existe apenas uma fonte de tudo o que é.
Uma singularidade original.
Você pode ainda escolher lutar contra a sombra, contra o mal.
Porém, ao lutar contra o mal, você está, de fato, alimentando-o.
Você está alimentando quem vive do medo.
Você está renunciando ao seu poder pessoal.
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Ao escolher deixar a espada cair, a luta cessa.
Você resgata o seu poder pessoal.
Passo a passo, a cada dia.
Em amor e compaixão por você mesmo.
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Deixar de lutar, significa deixar de ser reativo.
Não mais as emoções te controlam.
Você se recolhe para olhar para o que se manifesta dentro de você.
Vai perceber que a imensa maior parte destas emoções foram implantadas através de programas de reatividade.
Você vai ter, mais e mais clareza de que toda esta loucura do mundo, não é você.
Aqueles que colhiam a sua energia, não vão mais conseguir fazê-lo.
Pois, você retomou o comando da sua vida!
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Eis a jornada heroica:
Conforme a luta cessa dentro de você,
você é livre!
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