Minha querida e amada filha,
A culpa tem sido um fardo que carreguei ao longo de muitos anos e, de fato, por décadas.
Sentir-me culpado pela ruptura do casamento com sua mãe sempre foi o instrumento utilizado por mim mesmo para a autopunição.
Uma forma subliminar de compensar a dor e a profunda tristeza que sempre senti por estar deixando entes queridos.
A culpa é uma ferramenta ancestral de controle e manipulação. Percebo esta presença desoladora, ainda que passados todos estes anos na busca por mim mesmo.
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Houve uma época em que eu não media esforços para trazer o deslumbramento de minha criança interior com o universo que eu estava desvendando para minha então esposa e meus filhos.
Lembro de Oliete, uma grande e querida amiga de jornada, iniciar todos vocês em Reiki.
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Porém, conforme a jornada avançava, a separatividade ia se instalando.
Dois mundos passaram a existir em minha vida:
Um universo que nominei tempos depois como Os Corpos da Alma; e
Outro universo mantido através do mundo empresarial, do engenheiro agrônomo, dos familiares e dos filhos.
Neste segundo mundo, Os Corpos da Alma circulava como assunto periférico, muito mais percebido como uma excentricidade deste que, aqui, escreve estas linhas.
Houve interfaces no mundo empresarial, no qual, enquanto consultor, eu me aventurava a expor alguma faceta de Dhyan Deepak.
Olhando agora, enquanto escrevo, enxergo as várias máscaras que ainda utilizo para poder sobreviver em cada meio.
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Sobreviver é o que me foi possível ao longo destes anos, enquanto pai de família e como funcionário, representante e consultor de empresas do ramo agrícola.
Sobreviver num mercado de trabalho corroído pela competição.
Sobreviver a uma “passada de perna” que me conduziu à quebra financeira.
Sobreviver a dias de escassez.
Sobreviver à culpa por não poder atender às expectativas de meus entes queridos e às minhas próprias.
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Sustentar estes dois mundos dentro de mim carregou um custo energético crescente.
Percebo minha absoluta incapacidade de agradar a “gregos e troianos”.
Numa permanente sensação de que tudo o que ofereço é pouco.
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Eu realmente sinto muito!
Sinto muito não poder atender às suas expectativas e às de pessoas queridas ao meu redor.
Algo que apenas alimenta um velho padrão: o de não me sentir bom o bastante.
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Dhyan Deepak ainda é seu pai.
A busca pela realização através de um nome sannyasin (aquele que busca a si mesmo) não exclui nada daquilo que eu sou ou fui, nesta ou em outras vidas e, ouso dizer, muito além de minha experiência neste planeta.
Durante muito tempo, vivi em separatividade.
Ora sendo uma personalidade, ora outra.
Hoje sinto um profundo cansaço dessa divisão, de tentar ser algo que já não tem mais sentido.
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Nosso recente e lindo encontro foi emocionante.
Madha, que ficou no hotel, insistiu para que eu fosse vê-los.
Estar com vocês, com minha neta, foi uma dádiva, um momento precioso.
Um tempo de cura.
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Sou imensamente grato pelo amor e acolhimento oferecidos.
No amor, não existe exclusão ou separação.
Expresso meu amor por cada ente querido que caminhou e caminha comigo na jornada desta vida.
A própria palavra amor carece de significado que eu possa traduzir em palavras; assim, faço uso da metáfora:
Dos três filhos que eu e sua mãe tivemos a bênção de trazer ao mundo, você chegou primeiro.
No dia de seu nascimento, eu caminhei pela avenida Paulista. Eu havia sido abençoado, ungido pela sua chegada a este plano físico.
Naquele dia, eu era o homem mais feliz do mundo.
Ainda assim, estas palavras são incapazes de expressar o quanto eu amo você, seu companheiro e minha neta.
Com amor,
Seu pai