Olhe para a história conhecida da humanidade.
Observe o conflito, observe a luta, observe o confronto.
Nossa história, enquanto humanidade, é permeada de uma profunda crença:
a escassez.

É tão forte essa crença, tão repetida, tão insistentemente repetida, que fomos levados a aceitá-la como uma verdade absoluta.

As experiências vividas apenas reforçaram essa crença.

Não importa o papel desempenhado, a posição social, o poder aquisitivo da família, da comunidade, do país.

Aprendemos a olhar para o outro como uma referência de abundância ou de falta.

Olhamos para fora e comparamos com aquilo que enxergamos no espelho.

Assim, vida após vida, vivenciamos a falta e, talvez ocasionalmente, a opulência.

Fomos treinados a perceber ao nosso redor as polaridades entre as infinitas formas de miséria e aquilo que nos ensinaram a buscar.

Cada experiência de escassez reforçou a crença de que não há suficiente para todos.

Cada experiência de escassez retroalimentou o medo de não ter o suficiente, o medo de não conseguir sobreviver.

. . .

A força daqueles que nos precederam, para que possamos estar aqui hoje.

Cada um dos sistemas familiares nos quais encarnamos sustentou o impulso para a sobrevivência.

A experiência acumulada das muitas gerações ancestrais proporcionou a resiliência para que possamos seguir em frente.

Sem essa força ancestral, não nos seria possível sobreviver nesta realidade farta em conflitos e crenças na miséria e no sofrimento.

Portanto, não importa qual o desafio que tenhamos pela frente, a força ancestral persiste no campo mórfico, ao nosso redor e através de nós mesmos.

Observe que suas dez gerações pregressas somam cerca de mil pessoas. As suas vinte gerações pregressas somam cerca de um milhão de pessoas.

Imagine todos esses ancestrais torcendo por você.

Cada um deles, sussurrando: vá em frente, siga seu caminho.

. . .

Agora olhe para todos os seus ancestrais. Como se você estivesse num pequeno palco, olhando para a plateia onde estão todos aqueles que vieram antes de você e que possibilitaram você estar aqui hoje, lendo ou ouvindo estas palavras.

Imagine que você pudesse escanear todas estas pessoas, identificar suas dores, seus anseios, suas frustrações, os desejos não realizados.

Apenas testemunhe esta vasta nuvem densa de expectativas não atendidas.

Respire suave e profundamente, soltando o ar mais longamente na expiração.

Tantas respirações suaves e longas quantas sentir necessárias, até alguma estabilização.

Se vierem emoções, permita e respire novamente.

Até alguma estabilização.

. . .

Saiba que é muito provável que você tenha ocupado posições dentro de sua própria ancestralidade.

Sim, você pode ser também um ou mais de um de seus ancestrais…

Apenas respire, conforme sente esta possibilidade.

Sim, sentir é a forma amorosa de olhar toda esta vastidão de experiências humanas;

Integrar a força de todo este sistema.

Deixar ir os fardos, aquilo que não foi resolvido então.

. . .

Conscientemente deixar com cada um de seus ancestrais aquilo que eles não conseguiram expressar ou trazer para a realização.

Solte qualquer julgamento sobre qualquer conduta ou escolha que eles tenham feito.

Pois tudo o que eles fizeram, exatamente como o fizeram, possibilitou a você chegar até aqui.

Então, conscientemente:

Agradecer a cada ancestral pelo corpo físico que você está usando;

Agradecer ao seu sistema familiar pela força que te impulsionou até aqui.

Honrar cada ancestral por tudo aquilo que escolheu experienciar, absolutamente tudo;

Amorosamente deixar com cada um deles aquilo que lhes pertence.

Soltar quaisquer fardos que, de alguma forma, você aceitou carregar.

Pedir a bênção e a permissão para seguir em frente:

Livre!

Que assim seja.